Agora sim, eu estava querendo falar desse jogo.
Uma obra prima do ponto de vista técnico, a performance dele foi muito criticada, mas ela é justificada pelas coisas que essa engine (CryEngine2®) é capaz de fazer.
Mas não vou me ater aos detalhes técnicos nem explicar porque o jogo têm queda de desempenho nas máquinas atuais. Mas me ater no elemento principal dos jogos, o entretenimento. Crysis realmente oferece algo que nenhum outro jogo foi capaz de oferecer, através da sua engine, você têm física super-realista, em torno de 90% do cenário pode ser destruído, gráficos com efeitos que não devem nada, efeitos de luz de tirar o fôlego, reflexos na água, o jogo é próximo do perfeito, no entanto uma coisa básica sobre jogos aqui foi esquecida: jogos não são apenas gráficos, eles também podem ter sentimento, podem ter uma alma, e sua história pode ter personalidade e profundidade.
Continua…
Por exemplo, qual a diferença de jogar Crysis e Timeshift? A física, gráficos, o desempenho? Pode ser, mas eu posso apostar, o gameplay não muda nada, ambos se tratam sobre andar e matar tudo que se move. Crysis tem é claro, suas vantagens, a capacidade de se camuflar e aquelas habilidades da sua “nanosuit”, ou a vegetação que pode ser quase que completamente destruída e feita em pedaços (literalmente). Sim sim, tudo isso é realmente muito divertido…. nos primeiros 10 minutos de jogo, depois que você se acostuma com a física e todas as suas possibilidades, o que sobra? Jogabilidade e atmosfera.
Eu vi propagandas falando bem do jogo “explore o que você quiser, faça o que quiser na hora que quiser”, aham, sei… O jogo também tem sua linearidade, mas eu acho que foi aí um grande erro da CryTek. É legal explorar o mapa da forma que você quiser? Depende. O jogo depois de alguns minutos de jogatina perde profundidade, parece só um shooter comum só que mais bonito, depois de derrubar todas as casas e árvores do mapa não sobra mais muita coisa pra fazer, então só resta você prosseguir a missão matando inimigos, o jogo em si perde o sentido, pois você anda anda e anda, e a única coisa divertida pra fazer, que também logo perde a graça, é usar as habilidades da sua nanosuit pra poder matar a maior quantidade de inimigos nas mais variadas formas possíveis, o pior é que nem o terreno ou o cenário em si você pode usar contra os inimigos. Depois disso o jogo fica incrivelmente entediante, porque o jogo se trata apenas disso do início ao fim, onde está a graça nisso?
Seu personagem está numa ilha misteriosa, caiu um “bejeto” lá, você faz parte dessa força nada especial, mas o jeito que você chega lá, é como se você já fosse o rei da cocada preta, aliens metem medo até no mais macho dos gaúchos tchê! Porque não meteria medo no James Bond americano?
E você jogando no meio de todo aquele mato, não consegue nem ficar com medo ou se sentir tenso em frente ao seu computador. Crysis com o decorrer do jogo prova ser um jogo vazio e sem conteúdo, o jogo não é um jogo, ao meu ver é um demo reel na tentativa de demonstrar todo o poder da Engine do ponto de vista comercial, a última preocupação foi (ao meu ver) dar aos jogadores um produto de qualidade, do qual eles realmente poderiam se tornar fãs.
O multiplayer do jogo também é desinteressante, tanto espaço poderia ser usado no jogo, poderiam ser feitos mapas enormes, pra mostrar o diferencial da engine e do jogo, mas não consigo entender o porque de mapas tão pequenos e a possibilidade apenas 32 pessoas jogando, isso ainda que no modo multiplayer não há destruição ambiental como na campanha singleplayer. Bom, eu acho isso ridículo, o mínimo pra jogos onde você pode usar veículos, hoje, é 64 pessoas.
Os tarados masoquistas por gráficos de última geração que rodam ou não um jogo desses em suas máquinas ficam de bico fechado porque podem ver raios de sol atravessando as folhas das árvores, pois é isso que a grande maioria quer ver. E realmente, essas sombras seriam muito relevantes para Crysis… se fosse um jogo de cortar lenha e derrubar árvores, onde você passaria a maior parte do tempo olhando pra cima e para as árvores. Olhem, vejam só! Estou dando uma grande idéia de fazer um mod que retrate o desmatamento e as queimadas da Amazônia usando Crysis, já vou avisando que eu quero royalties.
Na próxima e última parte sobre essa minha saga sobre o que as produtoras pecam, vou resumir e concluir todo o raciocínio feito até aqui.


Maio 25, 2009 às 10:39 pm
o James Bond nao é americano. E o jogo nao é apenas graficos, com certeza vc nao virou o jogo e chegou na “nave” e na parte em q encontram um navio no meio do mato e de que começam a descobrir os alienigenas. Antes de falar sobre o jogo desse jeito, vire ele, e no mais dificil.
obrigado
Maio 30, 2009 às 5:51 pm
Oi Schusta, valeu pela sua participação.
Agora corrigindo, a minha colocação a respeito do james bond americano foi justamente pra comparar, eu não afirmei, me desculpe se a colocação lhe pareceu assim. Mas a idéia foi querer dizer que o personagem era o James Bond americano, o nome do James Bond é auto-explicativo, se coloquei o complemento americano foi por querer especificar uma forma diferente.
E sim zerei o jogo no hard, se escrevo sei muito bem do que estou falando.
Se a diversão do jogo está diretamente ligada a dificuldade dele, então temos um sério problema de game-design, o jogo não muda, e sim, como o nome diz, a dificuldade, fato que não abordei até porque seria irrelevante.
Pelo seu comentário posso supor que você é ulta-fã do jogo, portanto, quero dizer-lhe que a idéia aqui não é discutir gostos, foi uma análise do meu ponto de vista. Gostar ou não dela é seu direito.