gameXperience

de jogador para jogador, sem dever nada a ninguém

Crysis Review

Escrito por Tiago em Março 21, 2008

Antes de mais nada já vou avisando que não vou entrar a fundo na parte gráfica do Crysis, porque se fosse por isso então não iríamos precisar das imagens in-game, não acham? Não há nada para dizer sobre isso a não ser que os gráficos são soberbos.

Resumo

Em Crysis você é um membro de uma Força Especial americana, equipado com um uniforme de última geração que pode lhe oferecer um aumento das suas habilidades naturais, são elas Força, Velocidade e Proteção incluindo Invisibilidade ou Camuflagem.

História do jogo: Em 2019 um meteoro cai numa ilha.O governo da Coréia do Norte envia soldados imediatamente para o local e você, um soldado exemplar da famosa Força Delta do exército dos Estados Unidos da América, é enviado para investigar o local da queda.

Ao chegar lá,uma força alienígena sai do meteoro, congelando o lugar com o propósito de preparar uma terrível invasão ao frágil planeta Terra. Agora, cabe apenas a você salvar a humanidade.

by Wikipedia.

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continuação….

Direto ao ponto

Vou direto ao centro da questão: jogabilidade.

Crysis prometeu gráficos, iluminação e física ultra-realísticos, mas como tudo na vida isso teve um preço. O jogo não roda direito nem nos computadores mais possantes de hoje. Se você possui uma configuração modesta vai ter de rodar o jogo no infame “Low” pra poder jogar sem grandes perdas de performance.

Mas tudo isso é banal pois em todos os outros jogos funciona assim, certo? Errado. Crysis possui uma opção particular na qualidade física, somente em DirectX 10 você põe isso no máximo. Bom mas e o que isso têm haver? Tudo. Pra dar uma idéia, colocando a física em “Low”, o cenário será praticamente todo estático, a vegetação não vai mais reagir quando você passar por ela, casas e outros objetos não poderão ser destruídos, mas pelo menos você poderá cortar as árvores. Já quando a opção física for colocada no “Medium” você poderá destruir estruturas parcialmente, e ter uma boa interação com os demais objetos em redor, incluindo árvores.

O problema disso é que jogar no “low” em relação ao “medium” faz muita diferença, por exemplo, dentro do jogo existem pequenas casamatas, ou postos de vigilância que são altos, em alguns momentos alguns inimigos chatos com rifle de Sniper atiram em você, e você como bom gamer revoltado dispara uma míssil contra ele correto? Aí é onde mora o perigo, no “low”, você acerta a estrutura e nada acontece com o soldado lá dentro, já no “medium”, você pode muito bem derrubar a casa inteira abaixo juntamente com o soldado, e algumas vezes é desanimador, você ver um jogo com tantas possibilidades, mas só porque você não têm dinheiro pra comprar um PC da NASA não consegue desfrutar de tudo que o jogo têm de bom a oferecer. E isso, apesar de deixar mais versátil pra funcionar em todos os computadores nas mais variadas configurações, por outro lado poderá deixar alguns jogadores frustrados.

O terno de um bilhão de dólares

Sua Nanosuit lhe rende as vezes bons momentos, mas ainda assim o uso dela é insatisfatório. Por exemplo, a habilidade de aumento de força você pouco usa no jogo, com ela você pode ganhar um pouco mais de estabilidade na hora de atirar, ou pode também ficar mais forte para poder dar um belo sopapo nos inimigos e arremessar objetos, incluindo soldados, no ar, e com um adendo que você pode usar isso pra derrubar algumas árvores e casas.

Mas isso é bastante superficial, porque o jogo, apesar de ter isso, ainda se resume basicamente em sair matando tudo pelo caminho, a única habilidade que na minha opinião achei útil é a de invisibilidade que nos momentos em que você se encontra sob fogo ou quando está mal de vida pode dar uma acalmada e continuar.

O poder de velocidade é bastante útil e poderia ter sido mais interessante se o tempo de duração dele não fosse tão curto, porque com apenas alguns segundos correndo a barra de energia da sua roupa já acaba. Acho que muita coisa divertida poderia ter saído disso se os jogadores pudessem se aproveitar melhor dessa habilidade.

Muita coisa interessante foi adicionada no jogo mas pouca coisa você pode realmente usar. Uma coisa interessante seria a possibilidade de combinar as suas várias habilidades como em combos, por exemplo sair correndo com sua “super” velocidade e na hora que você chegasse em cima do inimigo trocar para a habilidade de força em questão de milésimos de segundo e dar um belo soco nele e ele sair voando por exemplo, mas isso seria coisa de profissional no jogo pois provavelmente você não seria rápido o suficiente para fazer a troca de habilidades ou não teria energia no momento de desferir o golpe.

Armas

Nesse quesito posso até dizer que Crysis deixou um pouco a desejar, você realmente tem poucas armas, e todas são basicamente semelhantes, pistolas, rifles de assalto, bazucas, granadas e uma arma alienígena que atira farpas de gelo, nada de muito diferente.

O interessante aqui é o sistema de customização de armas que ficou muito bonito e bem feito, pressionando a tecla “C”, a sua arma aparece na tela, e através do mouse você seleciona os acessórios dela, é muito interessante porque as mudanças ocorrem em tempo real na sua frente, isso realmente ficou muito prático e muito rápido no jogo, na hora de alternar o equipamento acoplado na arma.

Veículos

Como todos os bons jogos hoje em dia, você pode pilotar veículos em tempo real, no momento que você vê ele, você pode entrar e já sair pilotando. Os veículos são a melhor parte do jogo, você tem uma variedade de formas para destruir estes veículos, em particular os jipes, que podem ser destruídos atirando no galão de combustível do lado de fora do veículo, eliminando os inimigos dentro ou ainda furar o pneu, com balas mesmo ou lança granada, a qual proporciona um efeito mais cinematográfico. =D

Dentre estes veículos você pode pilotar botes, carros civis e tanques além de uma espécie de nave/helicóptero de transporte.

Há duas fases que são dedicadas a pilotar veículos, numa delas você começa com um tanque e vai andando e destruindo tudo, e em outro pilotando uma nave de transporte, bastante divertido e oferece maior variação ao jogo.

Aliens tentam invadir a terra pela 30000000000 ª vez

O jogo começa interessante, mas o nível de intensidade e entretenimento decai na mesma proporção que você avança no jogo, no início você tem a impressão que o jogo terá muito mais enredo, pelo assassinato dos seus companheiros e o sumiço do líder do esquadrão e o mistério do alien estripador, mas depois, do nada, o jogo parece que toma outra forma, fica muito superficial, e tudo caminha de forma como se nada tivesse acontecido, de certa forma, por momentos, até as missões parecem sem sentido. É como se começasse como um jogo de suspense e acabasse naquele estilo de filme onde todo mundo morre no final (aqui ninguém morre no final em especial, mas é completamente diferente do que você pensava).

O detalhe é que no início do jogo um alien mata seu companheiro, pra início de conversa parece até que os outros soldados não se importam com isso, do pouco conhecimento que tenho de exército, companheirismo está acima de tudo. Voltando, então esse alien aparece de uma forma tão rápida que você fica curioso pra descobrir o que é exatamente isso, e conforme você vai jogando, nada disso é explicado e tudo parece que sempre é um mistério, no melhor estilo “Arquivo X”, isso desperta um pouco da sua curiosidade, o enredo inicial valoriza os aliens e mistério do porque eles estarem ali.

Até que em um momento do jogo você chega perto do tal lugar onde os aliens instalaram sua nave, e do nada, aquele alien estranho que matou o seu companheiro, na verdade é apenas um dos tantos aliens existentes que de uma hora pra outra aparecem na sua tela voando por todos os lados como se fosse a coisa mais comum do mundo, mas o iníco valoriza demais a aparição deles, porque você quase nem consegue vê-los, e nota: esse tipo de alien fica sem aparecer por um bom tempo enquanto você joga, o que deixa a estória bastante incoerente e confusa.

Dá a impressão de que a história era uma coisa e depois foi mudada no meio do caminho, o tal alien aparece no início várias vezes, mata 2 companheiros e leva 1 outro junto. Mas porque depois disso o tal alien pára de perseguir vocês? Porque o alien não tenta atacar você várias vezes durante o jogo? Ao invés disso ele simplesmente desaparece, e na próxima vez que você o vê, existem uns 2 ou 3 voando por todos os lados.

Não preciso nem falar que o barco congelado no meio do mato ficou sem explicação né?

GameXperience

O review foi curto, e eu o fiz assim porque não acho que seja válido alongar demais e explicar detalhadamente que os helicópteros e a maioria dos veículos tem danos separados, por exemplo atirar na hélice traseira do helicóptero faz com que o mesmo perca o controle facilmente e caia, sem a necessidade de atirar mísseis nele, pois isso se usa só no início do jogo e se você não sabe destes detalhes, dificilmente descobre isso.

Porque fiz isso? Porque Crysis, apesar de sua engine poderosa, é apenas mais um shooter como os muitos que estão saindo, você pode controlar veículos, o jogo te oferece alguns momentos no melhor estilo Medal of Honor (lembra daquelas fases onde você estava em cima de um jipe ou caminhão e ia atirando em tudo enquanto um NPC dirigia?), como se espera num FPS, o jogo é bastante intenso nessa parte, constantes tiroteios, mas ainda assim em alguns momentos você pode escolher se vai eliminar todos os inimigos espalhados pela fase ou você vai direto a sua missão.

A questão de que o jogo seria altamente explorável com áreas abertas é balela, o jogo é como os de antigamente, a questão é que hoje as engines permitem jogos em áreas mais abertas e espaçosas, mas você não pode ir para onde você quiser e nem escolher a estratégia a ser usada, o jogo não é muito dinâmico e nem oferece muitas opções de ataque.

Conclusão

Crysis começa como um jogo interessante, dando a impressão de que vai ser um bom jogo, com características superiores, mas no decorrer o mesmo perde a profundidade inicial e vai aos poucos se reduzindo ao nível de outros FPS comuns que são lançados todos os dias, e no fim o jogo se resume a uma imensa caminhada por dentro de um porta aviões.

Crysis criou expectativa demais para um jogo que seria diferente dos outros, e assim foi apenas na parte técnica, pois o jogo segue a receita da maioria dos outros jogos, tirando as incoerências da estória.

Por outro lado é um jogo bom de se jogar, você pode passar a tarde toda jogando ele facilmente, pois as falhas são compensadas pelo acerto técnico do jogo, a física, o sistema das armas e veículos conseguem ajudar e muito o jogo a despontar como um ótimo jogo de FPS.

PRÓS

- Divertido em momentos, principalmente pelos veículos;

- Sistema de customização das armas muito bacana;

- Camuflagem da nanosuit foi uma ótima idéia;

- Destruição e intereação com o ambiente é suficiente;

- Sistema de danos nos veículos separado por parte é divertida, várias formas de se destruir os veículos;

- Efeitos espetaculares;

- Lindas paisagens;

CONTRAS

- IA bastante burra e possui olhos atrás da cabeça, conseguem te enxergar de qualquer forma;

- Estória não faz a mínima diferença;

- Cenas de conversa e animação são ridículas as vezes, sem falar chatas;

- Final do jogo extremamente entediante, atira mata e caminha;

- Habilidades são interessantes porém sub-utilizadas e até desnecessárias no jogo;

- A liberdade oferecida no jogo é bastante restrita, em alguns lugares mesmo em espaços abertos você possui apenas uma forma de ataque;

- Colocar opções físicas no máximo ou no mínimo influem diretamente na experiência de jogo.

Considerações Gerais

Diversão: 9

Jogabilidade: 8

Gráficos: 10

Som: 8

Estória/Enredo: 7

Criatividade: 8

Inovação: 8

Engine x Performance: 8

Nota 8,5

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