Wolfenstein: Enemy Territory, teamplay com ação que deu certo

Quando chegaram as conexões ADSL onde moro, lembro que este deve ter sido o primeiro senão o segundo jogo multiplayer que eu joguei na vida. Passei ótimos momentos jogando ele, um jogo ótimo, balanceado e divertido na época.

Este jogo é ainda muito jogado nos dias de hoje, infelizmente, devido a popularidade dele ter aumentado muito, começaram a acontecer muitos problemas de casos de cheaters e afins, que acabaram arruinando a experiência da maioria dos jogadores.

Mas vou falar da jogabilidade, veja isto como uma análise de conceito de jogo. O Wolf:ET (nome abreviado) foi um dos primeiros jogos a introduzir o conceito de classes. Existiam 5:

  1. Soldier – Soldados tinham acesso a armas pesadas. (bazuca, mg)
  2. Engineer – Classe especial, podia efetuar reparos, colocar, armar e desermar minas. Além de poder plantar a dinamite, que era usada para destruir objetivos no jogo.
  3. Medic – Classe especial, podia ressucitar amigos mortos e distribuir pacotes de primeiros socorros, para restaurar a vida dos amigos.
  4. Field Ops – Classe especial, podia chamar artilharia e distribuir munição.
  5. Covert Ops – Classe especial, podia pegar a roupa dos inimigos mortos e se disfarçar, tinha acesso a armas silenciosas e rifles de sniper, além de um explosivo detonado por rádio.

O interessante do jogo, é que ele recompensa os jogadores que jogam junto, que cooperam.

Mas não de uma forma exagerada como no Battlefield 2, onde a recompensa significa pontos e score. Como o estilo do jogo é “um defende outro ataca”, os dois times possuem objetivos diferentes.

Lança chamas comendo solto

Isso faz com que o time defensor, defenda a todo custo suas posições, e faz com que eles apenas matem antes de pensar em qualquer outro detalhe. Há o time que ataca, começa em uma posições de “quase-desvantagem”, basicamente é o lugar que ninguém quer ficar o jogo inteiro, isso faz com que o time atacante se obrigue a avançar e completar os objetivos, ou estará sujeito a ser subjugado.

A parte mais interessante do design do Wolf:ET é essa, os jogadores fazem o que mais gostam, frags, headshots e cia. Mas ao mesmo tempo, executam as funções que mais dão graça ao jogo, que seriam os objetivos.

Pessoal tentando entrar pelos fundos Chamaram artilharia

Normalmente nos jogos a última coisa que se pensa em fazer é ganhar, antes todos estão mais preocupados com o seu K/D ratio do que se o time ganhou ou perdeu. E no caso de Wolf:ET, ambas as coisas são conectadas, de forma que que se você quiser se dar bem, terá de jogar e completar os objetivos, do contrário o jogo vai se tornar chato e você provavelmente será morto seguidas vezes.

Dessa forma todos se obrigam, mesmo que não queiram a completar os objetivos. Não pensem também que tudo é maravilha, existem jogadores maus como em todo o lugar, que preferem se dar bem e apenas se aproveitam das situações, não ajudando em nada.

Nos momentos em que o teamplay realmente funciona, posso citar alguns mapas que não eram lineares, como isso? Vou explicar…

Na maioria dos jogos você sempre tem um caminho pré definido a seguir, “primeiro fazer isso, depois aquilo” e assim sucessivamente, podem haver diversos caminhos, mas a seqüência dos objetivos é sempre a mesma.

Acontece que no Wolf:ET, em alguns mapas o trabalho em equipe faz toda a diferença, a diferença meeeesmo, podendo ser decisivo para a vitória ou derrota do time.

Brincando de se camuflar

Como citei anteriormente existe uma classe chamada Covert Ops, através dela você pode roubar o uniforme dos seus inimigos e passar disfarçado por eles. Em alguns mapas, as bases onde ficam os objetivos a serem geralmente explodidos, existem barreiras antes, geralmente portas, portões ou muros. Essas fortificações geralmente possuem portas de acesso, que somente os alemães podem abrir. Roubando os uniformes dos inimigos adivinhe! Você também pode abri-las!!

Agora juntando tudo, o jogo geralmente possui 2 ou 3 bases a serem capturadas pelo time atacante antes de poder chegar ao objetivo definitivo, com isso você deve ir avançando no mapa e passando pelos inimigos. A ação geralmente começa longe da base onde fica o objetivo principal, isso dá a oportunidade de você roubar a roupa de algum inimigo, passar despercebido, e ir até esta base. Os objetivos só podem ser explodidos com dinamite, ou seja, você precisa de um engenheiro.

Aí é que está a graça, você passa como covert ops e vai até a base inimiga esperar algum engenheiro aliado aparecer, quando ele consegue passar no início sem ser visto o covert ops, estando devidamente disfarçado, abre a porta, ambos entram, o ideal é vir acompanhado de um médico para que caso alguém pise em alguma mina (geralmente existem jogadores precavidos que colocam mina nessas portas para evitar intrusos =D) poderá ser ressucitado.

Um mapa de exemplo é Fuel Dump, o lugar onde você deve plantar a bomba possui portões que pode ser explodidos com o explosivo do Covert Ops, explodindo aquilo o engenheiro pode entrar plantar a bomba e dar risada de um bando de alemães sendo pegos de surpresa, que voltam correndo para a base principal na tentativa desesperada de desarmar a bomba.

Detonador do explosivo do Covert Ops

É por essas e outras que pra mim, Wolf:ET é o jogo que possui o melhor conceito de multiplayer, ele não segrega grupos (os fraggers e os que querem apenas algum teamplay/diversão) e faz todos cooperarem no final das contas pelo mesmo objetivo. De alguma forma todos cooperam no jogo

No entanto é triste ver que os mesmos criadores do Wolf:ET desenvolveram o Enemy Territory: Quake Wars e acabaram distorcendo demais o jogo em relação as suas características anteriores.

Realmente, Wolf:ET foi um dos melhores e por uma época o melhor, multiplayer que já vi.

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