GameXperience: Red Orchestra 2


Red Orchestra 2 & Rising Storm logo

Recentemente o Steam em uma de suas “loucuras no meio da semana”, colocou o jogo Red Orchestra 2 em promoção que acompanha Rising Storm por apenas R$ 8,00 (e uns centavinhos mas não vem ao caso).

Joguei os mapas do Red Orchestra 2 apenas e me parece que não tem muita gente jogando o Rising Storm, pelo menos eu mal consegui jogar os mapas Rising Storm.

Então após ter jogado aproximadamente 8 horas, aqui vão algumas considerações sobre a experiência do modo multiplayer do jogo. Espero que ajude quem tem alguma dúvida se é válido adquirir o game ou não, então vamos começar com a parte boa:

  • Bom “feeling” nas armas, são bem modeladas e o momento de fazer a mira é bem bacana, você pode ouvir a respiração do soldado o que adiciona um pouco a atmosfera;
  • Realismo, o game prima por isso. Tanto na modelagem dos soldados, comportamento e utilização dos tanques e armas. O jogo permite você ver quanto de munição tem pressionando “R”, o detalhe é que ele apenas informa se está cheio, quase cheio, na metade ou no fim;
  • A movimentação do jogo, os controles em especial, se encaixam muito bem, se você está deitado, pra correr é só apertar shit+w, que faz o soldado automaticamente se levantar e correr agachado, depois de soltar as teclas e torna a se deitar sozinho. Achei esta função bem interessante, considerando a brutalidade do jogo, onde qualquer erro besta é um tiro na testa, então cada segundo que você economiza não pressionando teclas é precioso.
  • Muitas construções e lugares para se esconder na maior parte dos mapas, com bastante variação de ambiente e objetos, você não vai ver muita coisa repetida pelo game e isso ajuda muito na ambientação.
  • Simulação de danos, tanto nos tanques quanto nos soldados, cada dano localizado traz uma consequência diferente, um tiro na perna ou no braço permite que você faça um curativo. Um tiro com um rifle antitanque pode desabilitar a torre ou prejudicar a sua movimentação.
  • Sistema de classes dentro do jogo limita o número de pessoas com rifles de sniper, antitanque, metralhadoras e demais classes mais especializadas. Torna o gameplay mais balanceado.
  • Sistema de esquadrão onde o líder tem um papel diferente, possui granada de fumaça, binóculos para chamar artilharia e uma metralhadora, essa distinção é bem útil.
  • Sistema de esquadrões, permite que você forme um grupo, os membros do esquadrão podem nascer junto com o líder do esquadrão;
  • Sistema de supressão, se você está sob fogo cerrado a sua mira piora e você não consegue atirar.
  • VOIP dentro do jogo, facilita um MONTE pra se comunicar, mas prepare o inglês!
  • Jogando com 180~200 de ping não senti que a conexão tenha sido um problema, experiência fluída e sem lags.

Agora vamos para alguns problemas, tanto do jogo quanto na jogatina MULTIPLAYER.

  • O sistema que limita armas é bom na teoria, mas na prática algumas armas ainda levam alguma vantagem imensa sem ter muitos contras, foi o que percebi na MG42, onde alguns jogadores conseguiam caminhar e atirar com ela sem mirar e conseguir matar os adversários, quando estavam em torno de 10 a 20 metros de distância. Dada a alta cadência de tiros da arma, vejo isso como uma vantagem imensa pra quem usa e uma desvantagem pra talvez 90% dos jogadores, que são forçados a usar rifles que devem ser recarregados a cada tiro.
  • O layout dos mapas, pelo menos os do Red Orchestra que são Russia x Eixo, eu achei particularmente ruins. Alguns são abertos demais, com lugares demais pra se esconder (insira aqui “lugar de camper”), com áreas grandes muito abertas, prédios com entradas demais, tornando praticamente impossível o time de defesa conseguir defender alguma coisa. Notei essa dificuldade principalmente nos times que precisam defender o ataque.
  • Ainda no layout dos mapas, o oposto também ocorre, alguns mapas são muito estreitos, com poucos lugares pra se esconder ou opções pra avançar, viram literalmente corredores da morte, onde todo mundo faz spam jogando granadas de um lado pro outro com efetividade, deixando tudo previsível. Isso torna o jogo parecido com os das franquias mais populares como Call of Duty e Battlefield, que não tem como objetivo realismo ou acuracidade histórica. Nesse ponto o Red Orchestra decepciona bastante quem espera mais realismo.
  • O sistema de esquadrões é bacana na teoria, mas na prática, assim como em todos os jogos que eu já vi esse sistema, nunca funciona, é cada um pra seu lado e uma tremenda desorganização na maioria das vezes. Se considerar o ponto anterior que aborda mapas claustrofóbicos, o próprio layout do mapa faz o sistema de esquadrões perder o sentido de sequer existir.
  • Sobre os veículos, joguei poucos mapas com tanques, mas nos que joguei, eles eram quase que inúteis pois eram rapidamente e facilmente destruídos por rifles antitanque. O que é ruim, pois em alguns mapas é muito difícil de avançar, nesses mapas o time que ataca dispõe de tanques, mas o fato é que na maioria das vezes eles acabam sendo inúteis e de pouca efetividade.
  • Aparentemente a maior parte dos servidores roda o modo de jogo Territory, que consiste em uma série de bandeiras espalhadas pelo mapa, onde um time deve avançar enquanto o outro defende as bandeiras. Em alguns casos não é possível retomar as bandeiras capturadas pelo time que ataca. Inevitavelmente isso faz com que o jogo logo caia na mesmice e você canse rapidamente do jogo e dos mapas, pois tudo acaba ficando “manjado” com o tempo. E o mapa parece ser sempre o mesmo “Bridges of Druzhina”, é um mapa grande, com uma ponte no meio, os alemães ficam deitados na moita atirando enquanto os russos, coitados, precisam avançar no campo aberto. Existem granadas de smoke, mas considerando que os esquadrões não jogam junto é de se imaginar como esse mapa termina.

Red Orchestra 2 e Rising Storm são jogos pra quem gosta de realismo e jogar de forma mais calma e cadenciada. Sair correndo sem cobertura é pedir pra morrer no jogo, isso simplesmente não funciona. Boa parte do tempo você vai ficar atrás de um muro, embaixo de algum trem ou carro escondido ou entrincheirado aguardado o inimigo.

O jogo é bom, pra quem gosta do tema Segunda Guerra Mundial é o que há de melhor atualmente, porém, o jogo acaba ficando chato e repetitivo muito rapidamente, principalmente porque os objetivos não variam e a experiência de jogo costuma ser sempre a mesma. Some a isso o fato de que os mapas tendem a ser sempre os mesmos, apesar do jogo possuir vários mapas.

Isso faz com que você saiba que sempre vai ter alguém no lugar X, que ninguém consegue passar no lugar Y, que tem um bom lugar pra ficar camperando e defender uma base no ponto Z do mapa e assim por diante. Ou seja, fica repetitivo e tudo que é repetitivo cansa.

Confesso que não joguei nem metade dos mapas, devo ter jogado aproximadamente uns 7 ou 8 mapas já, 2 do Rising Storm e uns 5 ou 6 do Red Orchestra 2. Essas foram as impressões da experiência multiplayer do game.

Conclusão

Não vale a pena, vou ser direto e honesto. O jogo é bem legal, quanto a isso não há duvidas, mas pegar esse jogo agora não é uma escolha interessante pelos seguintes motivos:

  • Poucos servidores, metade deles com pings aceitáveis pra jogadores do Brasil;
  • Repetição da rotação de mapas, a maioria dos jogadores parece ter uma tara por Bridges of Druzhina;
  • Poucos jogadores, a maior parte dos servidores está vazia.

Eu comprei o game em promoção, então não foi uma grande perda, mas simplesmente não dá pra encarar a situação online do game pelos 3 motivos que citei anteriormente.

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