GameXperience – The Witcher 3: Wild Hunt


The-Witcher-3

Enfim o dia chegou, The Witcher 3 foi lançado. Aguardado por fãs e por pessoas que nunca tinham jogado um jogo da série na vida, a expectativa era a mesma: a de um jogo que seria o marco da nova geração de consoles e que prometia quebrar a barreira no PC.

The Witcher 3 traz um conceito novo e diferente, principalmente se o compararmos aos grandes nomes do mercado de RPG de mundo aberto como Fallout e The Elder Scrolls, por não ter um personagem muito customizável e ser orientado a uma história baseada em uma série de livros.

Pois bem, alguns peitinhos de fora e muitos monstros e bestas assassinados, a GameXperience fez uma análise do jogo, e o que encontramos não foi bem o que os reviews declaram, pra nós o que importa é a experiência de jogo, não se o mundo é (apenas) grande, aberto ou bonito. (Spoiler: não é apenas isso)

O que tem nessa análise?

Fique a vontade pra pular pra onde desejar.

  • Narrativa
  • Interatividade com o mundo
  • Poções e magias
  • Combate
  • Cavalo
  • Jogabilidade e Movimentação
  • HUD e Menus
  • Pontos de salvamento
  • Gráficos
  • Som e Trilha Sonora
  • Conclusão (Veredito)

Narrativa

Vamos começar pela parte que The Witcher 3 brilha mais. Uma história e uma narrativa envolvente. Cirilla, a filha por opção de Gerald, foi capturada pela Wild Hunt, ou Caçada Selvagem, ela conseguiu escapar de alguma forma, mas a Caçada Selvagem continua atrás dela. Essa é a linha principal da história do jogo.

Mas o mundo de The Witcher é tão bem feito, que a narrativa principal é ofuscada pelas situações do mundo em si, em volta de Gerald. São tantas coisas acontecendo, um mundo tão aberto e vivo que a sensação é arrebatadora.

Por exemplo, estava andando por uma vila e vi um homem falando para uma outra mulher, que ele havia envenenado o próprio cachorro, colocando ervas e substâncias dentro do animal, no intuito de atrair uma besta selvagem para que comesse o cachorro e fosse envenenado, a mulher, exaltada, diz ao homem que a tal besta não come cachorros, mas cabras. *pokerface*

Essa é uma pequena amostra do que o mundo de The Witcher tem a oferecer, não é uma quest, não é uma missão, objetivo ou situação forçada, é um momento comum sem nada de especial, você apenas estava passando ali e ouviu a conversa dos dois.

Essas situações certamente tornam a experiência de The Witcher 3 muito mais enriquecedora. Porém com um mundo tão grande e vasto como o criado pela CD Projekt Red, muitas oportunidades foram perdidas. A grandeza de um jogo de RPG não está apenas nos gráficos ou suas mecânicas, mas nas histórias criadas.

A experiência é complementada por livros, notas e diários que você encontra durante a jogatina e que contam um pouco mais da vida das pessoas, muitos jogadores não gostam de ler muito dentro do jogo, mas The Witcher 3 se torna especial por conta disso. Entretanto ainda não chega a ter tanto material de leitura como em The Elder Scrolls.

Interagindo com o mundo

Essa foi a parte que mais deixou a desejar o no jogo. Uma das coisas mais especiais em jogos de RPG é falar com pessoas, interagir com itens e afins que contam histórias ou iniciam missões. Não foi o que se viu. Tirando alguns personagens chave, o jogo é limitado em sua interatividade. Você pode falar com os vendedores ou então com alguns NPC que aparecem com missões circunstanciais.

Se você tenta falar com um camponês geralmente todos eles falam o mesmo texto que os demais. É impossível não comparar com Skyrim, um dos jogos mais marcantes dos últimos tempos, os diálogos naquele jogo também se repetiam, mas geralmente tinham algo a ver com a vida dos habitantes do local ou circunstâncias que estavam ocorrendo. Em Wild Hunt esse não é o caso, na maior parte do tempo os camponeses emitem apenas um “hummm” ou ficam tossindo e limpando o catarro da garganta.

Não existem muitas opções de missões alternativas, isso é algo que faz falta as vezes pra quebrar um pouco o “gelo” do jogo. Existem lutas de boxe, mas que são curtas e rápidas e não tem nada de especial ou corridas de cavalo. Por outro lado existe o jogo de cartas chamado Gwent, particularmente nunca fui afeito a esses mini-games, mas o Gwent é um jogo que não leva tempo pra aprender e tem várias estratégias possíveis, o que deixa o jogo sempre atrativo e desafiador. Existem 4 decks com cartas diferentes no jogo que mudam o estilo e as estratégias usadas.

2015-05-23_00003
Vamos jogar Gwent?

As missões secundárias do jogo não são lá muito diferentes dos contratos, que são contratos para caçar monstros, expulsar espíritos e coisas mundanas para witchers. Algumas missões secundárias possuem uma narrativa própria, que acabam por acrescentar mais ao já imenso mundo de The Witcher 3.

Poções e magias

Em The Witcher 2, para usar uma poção era necessário entrar no menu de meditação fora de combate e beber as poções que fossem necessárias para obter algum recurso de vantagem contra os inimigos. Em The Witcher 3 você equipa até duas poções para uso rápido durante uma batalha.

O problema disso é que se você quiser usar outras poções ou usar alguma comida para restaurar a vitalidade, você acaba tendo que visitar frequentemente o inventário do jogo, que é um dos fracos do do jogo. Na maioria das vezes o inimigo vai estar descendo o cacete em você, enquanto você tentar abrir um espaço pra abrir o inventário, usar algumas poções e quando sai do inventário tem que torcer pra dar tempo de se esquivar do inimigo, ou seja, um processo doloroso.

Quando o item que está no slot de acesso rápido termina, outro automaticamente é atribuído, e as vezes pode ser um item que você não quer usar, como tomar cerveja durante o combate, que dá vitalidade mas distorce a visão de Geralt.

Combate

Combinando esquivas, ataques rápidos e ataques pesados e lentos, o combate é um dos principais aspectos da série. Os inimigos são impiedosos e atacam todos em conjunto, e os mais espertos tentam atacar Geralt pelas costas, que causa danos críticos.

Para ser bem sucedido é necessário combinar o bloqueio de ataques com esquivas no tempo certo. Se você resolver sair espancando o inimigo sem parar logo leva um contra ataque em que você ficará suscetível a novos golpes e muito próximo de morrer. Não é necessário muito esforço para que Geralt morra, se você for descuidado, poderá ser abatido no jogo rapidamente.

Cavalo

Além dos combates normais, você também pode usar o cavalo para viajar pelo imenso mapa de Wild Hunt. Uma adição necessária ao jogo que ajuda muito e que no geral funciona bem em florestas e nos ambientes mais abertos. Também é possível lutar de cima do seu cavalo e golpear inimigos que estejam no solo ou em outros cavalos. A ideia é boa, a mecânica nem tanto.

Esta era uma porta que deveria abrir simplesmente ao passar por ela, mas o cavalo simplesmente travou e não abria. Tive que dar algumas voltas até conseguir abrir a porta estando montado no cavalo.
Esta era uma porta que deveria abrir ao passar por ela, mas o cavalo simplesmente travou e não abria. Tive que dar algumas voltas até conseguir abrir a porta estando montado no cavalo.

Antes de acertar o inimigo é ativada uma câmera lenta que permite “mirar” melhor no inimigo, o problema é que ela atrapalha porque desacelera demais o combate e se torna irritante já que não há como desabilitar, outra questão é que Gerald geralmente mira pro lugar errado, os controles na montaria não são muito intuitivos, sem contar que a detecção de colisão em cima do cavalo parece falha, acontece de o golpe acertar parcialmente o inimigo e ele não ser atingido.

O problema também se estende ao cavalo, que frequentemente fica preso em pequenos galhos no chão ou outros objetos no cenário, o que faz o animal parar completamente, nesses momentos a responsividade dos controles mais uma vez não ajuda. Não faltam momentos em que ao cavalgar para decepar os membros de um inimigo o cavalo ficava preso em algum objeto insignificante do cenário.

Jogabilidade

O combate em si é bom e gratificante, mas sofre com o principal defeito do jogo, a falta de responsividade dos comandos. Parece que pra cada ação existe um atraso, muito além do aceitável, provavelmente proposital para tornar os movimentos de Geralt mais fluídos e humanos, porém frequentemente atrapalha.

Em alguns casos, Geralt guarda a espada mesmo que o combate não tenha terminado, então você pressiona enlouquecidamente a tecla pra ele desembainhar a espada e somente depois da terceira pressionada na tecla é que Geralt puxa a espada, durante qualquer luta isso parece uma eternidade.

Algumas ações sofrem um efeito retardado. Você pressiona a tecla pra desembainhar a espada umas 2 ou 3 vezes, o que faz com que Geralt desembainhe a espada e a guarde novamente. Isso acontece com uma frequência frustrante, comprometendo a experiência.

Movimentação e interatividade

A movimentação é outra questão problemática e que é difícil de se acostumar, pra uso geral, funciona bem. Mas se você estiver correndo e soltar o controle, Geralt dá uns 3 passos até parar, durante esse tempo da animação de “parar de correr” os controles não respondem mais, então fazer correções ou ajustes na movimentação de Geralt se tornam um desafio em si. Andar por ambientes restritos então é um pesadelo, o personagem fica esbarrando e trancando em tudo pelo caminho, mas em geral isso acontece pouco e é fácil de evitar.

Esses problemas não param por aí, em alguns momentos se torna impossível pegar ítens que estejam no cenário. A interação com o ambiente em si é de longe, uma das piores.

Simplesmente impossível pegar esse item.
Simplesmente impossível pegar esse item.

O jogo não usa a câmera como “mira” pra pegar itens, e sim a posição de Geralt, para onde ele está virado e a câmera. Houveram situações onde foi simplesmente impossível pegar um item. Em outras situações é tão frustrante que o melhor caminho era simplesmente desistir de tentar porque já havia perdido mais tempo do que o necessário só pra pegar um mero item. Esse problema é mais visível em ambientes com estruturas mais complexas, como as cavernas ou caixas e barris empilhados.

Seu cavalo pode ficar preso em um graveto no chão, mas seu barco pode passar através dos outros
Seu cavalo pode ficar preso em um graveto no chão, mas seu barco pode passar através dos outros

Um constante desafio é conseguir interagir com o ambiente, é uma coisa massante e muito frustrante, nesse sentido os controles são imprecisos e aí adicione a falta de responsividade da movimentação de Geralt que a coisa se torna insuportável as vezes, algo que se torna um fardo que amaldiçoa o jogo todo.

Inventário e HUD

Não apenas o inventário e os menus de forma geral são simples e pouco atrativos, não custava nada tirar aquele fundo escuro e botar alguma cor. O inventário em si não é muito prático, tem muita informação na tela. Mas a coisa fica feia quando o inventário aumenta de tamanho. Um exemplo disso é que existem várias receitas de poções e armaduras que você pode ir adquirindo pra melhorar o desempenho durante os combates. O detalhe aqui é que é tanta coisa que os menus ficam simplesmente entulhados de opções tornando muito difícil a navegação. Se perde muito tempo nesse processo.

No mapa você pode ter apenas uma quest ativa por vez, as demais ficam ocultas. Isso vira um problema pois você acaba iniciando algumas quests apenas entrando em alguma área e não necessariamente interagindo com alguém ou algo, então inadvertidamente você acaba iniciando eventos que não gostaria. Isso poderia ser facilmente evitado caso todos os objetivos fossem marcados no mapa. Aqui fica inevitável a comparação: em Skyrim você podia escolher quais quests queria habilitar o marcador no mapa, o que ajudava muito quando você estava em alguma área do jogo e desejava ir para a quest mais próxima. Já que em The Witcher 3 todos os pontos de interesse já aparecem marcados no mapa, não seria um problema deixar todas as missões ativas sendo exibidas no mapa também.

O ícone amarelo com um
O ícone amarelo com um “x” representa a quest ativa.

Como consequência em Wild Hunt se perde muito tempo navegando em menus que são atulhados de itens e apresentam uma experiência frustrante.

Pontos de salvamento

De forma simples e sucinta, os checkpoints são péssimos, em alguns momentos você será obrigado a assistir as animações toda vez que morrer. O pior mesmo é quando em um contrato você tem de enfrentar um Lobisomem. Você derrota ele, aí entra uma animação e um diálogo onde você tem que fazer escolhas, terminado o diálogo você volta pro combate mais uma vez, nos momentos iniciais não é possível salvar, então o jeito é ficar vivo um tempo se esquivando dos ataques até poder salvar e aí sim partir pra cima do bicho.

Em alguns pontos do jogo existem salvamentos automáticos, mas frequentemente você é impedido de salvar durante as missões, não é algo ruim em si, o problema é que em alguns casos, como o citado anteriormente, se você for derrotado, terá de ficar assistindo animações novamente.

Gráficos

Os gráficos são muito bonitos e bem feitos, a vegetação e o ambiente são de encher os olhos. Mesmo nas configurações de qualidade de vídeo mais baixas, o jogo é deslumbrante. A surpresa fica por conta de no modo Ultra não ser tão melhor do que no nível médio. Os jogadores de PC acabaram ficando muito irritados com isso, pois parece que o jogo foi feito pra rodar nos consoles e não foi otimizado para PC, tanto é que independente das configurações de qualidade de vídeo, o ganho na taxa de quadros por segundo não chega a ser tão alta como deveria.

Joguei nas configurações de vídeo Alta, Média e Baixas. Pude jogar na maior parte com as configurações altas de vídeo, porém quando adentrava em pântanos e lugares com vegetação, água e com chuva, a taxa de quadros caía desgraçadamente, enquanto em lugares mais abertos ou nas cidades era possível jogar em configurações altas sem muito problema.

Som

O som de forma geral é muito bom, folhas de árvores, folhas secas quebrando e batendo umas nas outras, o vento, a chuva. Todas essas sensações existem no jogo e a parte sonora faz bem esse papel. A voz de alguns atores, principalmente das crianças as vezes é bem estranha, mas de forma geral as atuações de voz são boas. As vozes na versão em português são em geral boas, mas a Yeneffer tem um jeito muito estranho de falar, não ficou bom. Mas todo o trabalho de tradução e localização foram bem executados para o português. A trilha sonora é excelente, não há o que comentar nesse sentido, se adéqua perfeitamente ao ambiente e ao etilo do jogo.

Conclusão

Tendo jogado The Witcher 2 e me tornando um fã da saga pelo sistema de criação de bombas e poções e não ser um RPG no senso tradicional, apenas com magias, espadas e escudos, porém confesso que me decepcionei em certos aspectos do novo título. Em The Witcher 2 era mais fácil e era fundamental ter acesso a bombas e poções, mas talvez fosse por conta do mapa que era menor e do escopo do jogo em si.

Os problemas de jogabilidade são coisas que continuam frustrando mas na maior parte já me acostumei. Em boa parte já desisti de usar o cavalo pra lutar, por dar mais dor de cabeça do que resultado. Ainda não consegui acertar uma configuração de vídeo ideal, estava jogando com gráficos em alto mas me vi obrigado a reduzir tudo pra ganhar mais fluidez nos combates em pântanos principalmente. A criação de itens, armas, poções, óleos e armaduras é algo que constantemente dou atenção e ainda é algo que faz a diferença no jogo.

The Witcher 3 tem vários defeitos, alguns bem sérios, no PC tem muita gente que sequer consegue jogar, eu mesmo tive problemas com o jogo travando toda vez que acessava o inventário mas resolvi.

Apesar de tudo isso, The Witcher 3 Wild Hunt é tão bem feito, tão bem pensado e tem um mundo tão fantástico que é impossível não se derreter pelo game. A trilha sonora é digna de um épico, os personagens são críveis e realmente é possível se relacionar com eles, nesse aspecto The Witcher bate qualquer jogo. A narrativa é muito envolvente, o mundo criado é muito bem feito, as pessoas são más, o país está em guerra, a morte, a destruição e os oportunistas estão por todo lado, existem pessoas fugindo da guerra, outras tirando proveito dela.

Acho que nunca me envolvi e me senti tão parte desse mundo criado pelo autor Andrzej Sapkowski e adaptado pela CD Projekt Red como me sinto em The Witcher. Você tem um papel na história, não é o tal “o-escolhido”. The Witcher está para Game of Thrones. Mostra um mundo cruel onde ninguém é especial mas com personagens marcantes.

Anúncios

2 comentários sobre “GameXperience – The Witcher 3: Wild Hunt

  1. Review bem elaborado. Você foi martelando tanto o jogo que achei que a conclusão do review iria ser ruim. Comecei a jogar o The Witcher 1 nessa semana, vamos ver se terei paciência de seguir adiante.

  2. Tiago

    Valeu Everton! The Witcher 3 me passou uma sensação estranha, quando eu jogo sinto os defeitos, mas se tu contorna os problemas do jogo, realmente, a experiência é recompensadora demais.

Os comentários estão desativados.